13 de ago de 2016

Primeiro passo

     Induzidos pela produção poética pretensiosa, seguimos em frente, desbravando um caminho quase inédito nas possibilidades das palavras. O sentido é fluido, inaprisionável, carregado de inconformidades emocionais. Os signos linguísticos pairam no ar, pouco convencidos de que alguém será capaz de pegá-los. Mas não seria esse o propósito, ou pelo menos um deles? Pois em não o sendo, por que compartilhar à eternidade virtual esta combinação de letras? Não seria mais fácil trancafiar pensamentos aleatórios num disco rígido qualquer, longe dos olhares curiosos dos juízes intransigentes? Seria, decerto; mas que graça restaria? A verdade é que não nos satisfazemos com nossa própria companhia. O ingrediente para apreciar a solitude ainda nos é segredo, talvez um dos mais importantes que só o tempo e as adversidades possam nos confidenciar. Na pior dos hipóteses, morreremos debaixo dos holofotes, condenados à incompreensão.